"O último silêncio é a morte" R. Murray Schafer



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Uma neblina no ar

Uma neblina no ar. Uma sensação estranha presente. Uma aceitação mesclada a uma não vida, um estado de espera por algo que simplesmente não sei, ou, o que pode significar.
Paro e vejo a vista, sinto um refrigério no ar. É como se toda mansidão escondesse em seu interior uma paisagem densa, pesada, escura e negra. Algo que não se pode ser visto e apreciado.
Volto os meus pensamentos para o que sinto, para o que vejo, para o que está diante de mim. Não há sol, não há nuvens brancas e engraçadas, pelo contrário, vejo apenas o cinza, carregado de águas, que em breve, cairão sobre a terra, deixando o clima úmido, numa sensação ainda mais perturbadora e desagradável.
Mas penso, após o temporal, tudo continuará, ou melhor dizendo, tudo passará. Outro dia virá, outro temporal e assim a vida seguirá seus dias até o seu derradeiro e inevitável fim.

Era uma vez...


Um mundo sem vida. Um som sem notas. Um mar sem águas. Um céu sem nuvens engraçadas.  Tudo tão sem graça. O que era colorido, ficou no preto sobre o branco. O jardim que antes era florido, agora está morto. As águas que eram límpidas, hoje são sujas. O que aconteceu a esse mundo? Perdeu-se a inocência, descobriu-se a vida.
Se a inocência significa pureza, o que nos acontece quando crescemos? O tempo nos rouba não apenas a juventude, mas também a fé e a confiança. Como um tic-tac de um relógio sem fim. Ele nos persegue, o tempo nos persegue. Corremos, lutamos, bradamos, porem aos poucos o cinza toma conta do vermelho e o preto escurece tudo. Nos cega e nos deixa perdidos. Os que queríamos ser, já não são mais e o que somos já não sabemos se seremos amanhã. A cegueira nos afetou.

Entre o azul escuro quase preto

Entre o azul escuro quase preto assim caminha meus desejos, meus sonhos, meu temores. Entre o meio termo está minha vida, está minha alma, está o meu eu.
Entre os extremos, entre as ambigüidades. Entre a fraqueza e a vivacidade, entre o medo e o desejo de viver. Entre o certo e o errado, entre a vida e a morte, entre o que é prazeroso e o que é moral, entre fazer o que é certo e que realmente desejamos, entre o lícito e o que não me convém.
Por entre caminhos escuros, gelados e frios, mas ao mesmo tempo, quentes sufocantes e insuportáveis. Sob o anoitecer em meio a duvidas e incertezas caminho para a liberdade em direção ao fim, em direção ao começo. Caminho para a morte, buscando a vida. Em direção a dor, desejando o refrigério e a paz. Assim caminha meus passos, minha alma, o meu ser.
Entre o desejo arduamente de viver e o receio de buscar realizar meus desejos. Trilho para a morte, me distanciando do sofrimento, em caminho a liberdade como um barco em meio a um mar grande e sombrio, belo e misterioso, em meio a um horizonte infinito que não se revela aos meus olhos, mas que expressa um temor por não ter um fim.  




Desejos intensos

Numa explosão de desejos, ela saiu pela noite. Seu objetivo era simplesmente viver. Caminhou procurando vida, seus olhos mostravam ansiedade. Um desejo louco por sexo, misturado a uma euforia que a tomaram. Queria devorar e ser devorada por seus instintos loucos e prazerosos. A noite apenas estava começando. Pelas ruas vazias ela caminhava sozinha. Muitos podiam afirmar que ela solitária, mas não, podia ser tudo, menos solitária. Caminhou, andou por esquinas, muitos a olharam, a cobiçaram, a desejaram. Mas estes, ela mantinha distancia, gostava de provocar esse desejo em todos em que passava por perto, tanto homens, quanto mulheres.
Chegou a um bar, entrou e pediu uma cerveja. Logo apareceram jovens, homens querendo o mesmo que ela tanto desejava.                                                                       Dentre vários, um chamou sua atenção. Conversaram, trocaram palavras cheias de referencias, metáforas e intenções. Os olhares eram claros, as palavras diretas. Os desejos eram os mesmos.
Entre risadas e gargalhadas, seus olhos vidrara no do dele. Seu corpo já estava em explosão.
                                   Pensamentos trafegaram pela sua mente. Suas pernas não paravam. Com seus pés incitou o rapaz que percebeu. Os dois começaram a trocar olhares cada vez mais excitantes. O que os dois mais desejavam era o desejo de desejarem aquela sensação. Após meia hora saíram do bar, foram para um beco. Encostaram-se a uma parede, ninguém havia no local. Começaram a se beijar. Suas mãos o tocaram, o consumiam.
            Ele por sua vez, cada vez mais a levava a um estado de loucura.                         
Gemidos, sussurros e mais gemidos. Ao chegarem ao seu ápice, simplesmente ela revelou seus verdadeiros desejos, seus olhares, sua verdadeira face. Em um impulso incontrolável ela o agarrou com força seu corpo ao seu.
Numa atitude selvagem ela o mordeu.
Da sua boca tão bela, excitante, saíram presas fortes, famintas. Com estas dilacerou seu pescoço. Sangue começou a escorrer pelo seu corpo. Enfraquecendo cada  vez mais e mais, ele se prostrou se entregando aquela sensação de dor e prazer.
E ela cada vez mais ia roubando sua vida até não restas mais nada, apenas o silêncio. Após isso, ela levantou e se retirou daquele ambiente escuro, triste e silencioso.
Com lágrimas em seus olhos, mais uma vez ela havia se rendido aos deus desejos.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um minuto, por favor

Um minuto de silêncio, por favor, eu lhe peço. Um momento de reflexão, um momento para fechar meus olhos e tentar compreender o mundo que me cerca.
Um segundo ou talvez uma hora para eu possa ficar de olhos fechados, apenas imaginando, apenas tentando entender meus pensamentos, meus sentimentos, meus receios e planos que se perderam, que simplesmente, não deram certo.
O mundo gira, as horas passam, as lembram se vão, os sonhos morrem, tudo de uma forma tão acelerada. Ontem tinha cinco, hoje tenho vinte e cinco, amanha já terei cinqüenta. É tanta informação, são tantos desejos, tantas metas, eu me perco, eu me perco, me lamento, paro e penso, mas não consigo, não consigo entender.
Tudo tem estar de acordo, mas não tenho controle de nada, tudo tem que seguir conforme o planejado: uma faculdade aos vinte e dois, uma pós aos vinte e quatro, um mestrado antes dos trinta e um doutorado antes dos quarenta e, além disso tudo, tem que haver a vida, sendo vivida, experimentada, sofrida, por fim, sentida. Mas não, nada se concretiza dessa forma, tento refazer os planos, porém percebo mais do que nunca que não, eu não tenho o controle de nada e essa falta de controle me desespera, me atemoriza, me silencia.
Um minuto de silêncio é o que peço para tentar compreender esse mundo louco que me cerca e esses meus pensamentos e imperfeições que me fazem ser quem sou.